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Fio B

Fio B é a parte da tarifa pelo uso da rede elétrica, cobrada aos poucos também sobre energia solar — aparece destacada na fatura da Neoenergia Cosern.

Fio B é a parte da tarifa de energia referente ao uso da rede de distribuição local — tecnicamente, o componente TUSD Fio B. Diferente da energia em si, essa parcela passou a ser cobrada gradualmente também sobre a energia gerada por sistemas solares, mesmo quando ela é compensada como crédito. Na prática, é o motivo pelo qual a conta de quem tem energia solar não vai a zero, mesmo com o sistema cobrindo todo o consumo.

O que o Fio B remunera

A tarifa de energia não é um valor único: ela reúne o custo da energia propriamente dita e o custo da infraestrutura que entrega essa energia até o imóvel. O Fio B fica nessa segunda parte — ele remunera a rede de distribuição local da concessionária (postes, cabos, transformadores e a manutenção de tudo isso). É por isso que ele continua sendo cobrado de quem gera a própria energia: mesmo produzindo, o sistema solar usa a rede como uma espécie de “bateria virtual”, injetando o excedente durante o dia e puxando energia de volta à noite.

O cronograma da Lei 14.300/2022

Até 2022, a energia compensada era abatida praticamente por inteiro, sem cobrança do Fio B. A Lei 14.300/2022, o Marco Legal da Geração Distribuída, mudou isso e criou um cronograma de transição que separa os sistemas em dois grupos:

  • Sistemas protocolados até 6 de janeiro de 2023 (GD1): ficam isentos da cobrança progressiva e mantêm a regra antiga até 2045.
  • Sistemas protocolados a partir de 7 de janeiro de 2023 (GD2): pagam um percentual crescente do Fio B sobre a energia compensada — 15% em 2023, 30% em 2024, 45% em 2025, 60% em 2026, 75% em 2027, 90% em 2028 e, a partir de 2029, a estrutura tarifária definitiva que a ANEEL vier a definir.

Vale notar que esse percentual incide apenas sobre o Fio B — não sobre a conta inteira. Como o Fio B é uma fração da tarifa total, o impacto na fatura é bem menor do que os percentuais do cronograma sugerem à primeira vista.

Um exemplo ilustrativo de como a conta é feita

Os números abaixo são hipotéticos, apenas para mostrar a lógica do cálculo — o valor real do Fio B consta na sua fatura e é revisado periodicamente pela ANEEL:

Imagine um sistema GD2 que, em um determinado mês de 2026, compensou 500 kWh. Supondo um Fio B hipotético de R$ 0,30 por kWh, a cobrança seria 500 × R$ 0,30 × 60% (percentual de 2026) = R$ 90. Nesse mesmo mês, sem o Fio B, esses 500 kWh teriam sido compensados integralmente.

O que esse exemplo mostra é que o Fio B reduz a economia, mas não a elimina: os mesmos 500 kWh, se fossem comprados da distribuidora pela tarifa cheia, custariam bem mais do que os R$ 90 do exemplo.

O que isso muda na decisão de investir

Mesmo com o Fio B, a energia solar continua vantajosa — o que muda é o cálculo do payback, que passa a depender de quando o sistema foi protocolado e de qual percentual do cronograma está vigente. Para uma estimativa considerando essas variáveis, use a calculadora de energia solar da BG Solar, e veja também o custo de disponibilidade, a outra cobrança que permanece na fatura mesmo com o sistema gerando.

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